sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Teologia de João

Teologia de João

Introdução


O evangelho de João é um dos que melhor apresenta Jesus, sendo considerado como “o evangelho puro” [1].
Embora todos os evangelhos do nosso cânon tenham em Jesus o seu eixo, diferente dos sinóticos, João apresenta um Jesus mais enfático, onde o “Eu” está sempre em destaque, indicando Jesus de forma mais direta.

“Um sinal do predomínio do Eu de Jesus no evangelho joanino é fornecido pela gramática: a importância do pronome grego da primeira pessoa [egw](Eu) e o número de declarações de Jesus [egw eimi] (Eu sou) ás quais se devem acrescentar os exemplos ainda mais abundantes em que Jesus diz simplesmente eu: eu sou enviado, eu falo, eu dou testemunho, eu ajo, eu sei, eu faço, eu não faço, eu te glorifiquei, eu vos verei, ou, por causa da supressão do pronome em português, fala na primeira pessoa: (eu) vou, (eu) quero, (eu) vim... Aí está o fato maciço: em João, Jesus fala de si o tempo todo e, quando age, é a fim de, em seguida, poder falar de si e dizer Eu sou.[2]

Os “eu” de Jesus

João - Sou eu o Messias. 4.26
Sou eu, não temais.
Sinóticos - Sou eu, não tenhais medo. Mc. 6.50.
João - Eu sou o pão da vida. 6.35,41,48,51.
Eu sou a luz do mundo. 8.12
Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou. 8.28.
Antes que Abraão nascesse, Eu sou. 8.58.
Eu sou a porta das ovelhas. 10.7.
Eu sou o bom pastor. 10.11,14.
Eu sou a ressurreição. 11.25.
Digo-vos isto agora antes que aconteça para que, quando acontecer, creiais que Eu sou. 13.19.
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. 14.6.
Eu sou a verdadeira vide. 15.1.
Eu sou a videira. 15.5.
A quem procurais? ... Jesus nazareno... Sou eu. 18.5,6,8.
Sinóticos - Muitos virão em meu nome, dizendo “Sou eu”. Mc. 13.6.
És tu o Messias, o Filho de Deus Bendito? Jesus respondeu: “Eu sou”. Mc. 14.62.
João - Tu és o Filho de Deus, és o rei de Israel. 1.49.
Vens da parte de Deus, como um mestre. 3.2.
És, por ventura, maior que... Jacó. 4.12.
És um profeta. 4.19.
É o santo de Deus. 6.69.
Sinóticos - Tu é o Messias. Mc. 8.29. e par.
João - Quem és tu. 8.25.
Se és Cristo, dize-nos abertamente. 10.24.
Sinóticos - És tu o Messias, o Filho de Deus bendito?... Eu sou. Mc. 14.62 e par.
João - Tu és o Cristo, o Filho de deus. 11.27.
És o rei dos judeus? 18.33.
De onde és tu? 19.9.

João se difere também dos sinóticos na substituição das parábolas tão usadas por estes, por discursos longos; a vida eterna e não o reino de Deus como tema central, além de outros pequenos detalhes como local de ministério de Jesus, ausência de narrativas importantes como nascimento de Jesus, batismo, transfiguração, agonia no Getsêmane, exorcismo de demônios, ultima ceia e o discurso no monte das oliveiras. Ele ainda apresenta um forte dualismo (luz x trevas, carne x espírito, dois mundos), utiliza-se de um grego simples em relação aos demais, trazendo um foco teológico e não histórico. (Jo. 20.31).
Logo João não visa a dar um relatório completo, mas fortalecer a fé na filiação divina de Jesus, proporcionando assim vida (eterna).
Diante destas características alguns comentaristas chegam a questionar se o evangelho joanino apresenta uma teologia própria de Jesus, ou uma teologia de Jesus assimilada por João.
Fica um questionamento acerca da teologia joanina. Por conseguinte o problema teológico que nos coloca a teologia joanina não é a pergunta em si muito válida até que ponto os relatos sobre Jesus e as palavras de Jesus no evangelho de João apresentam noticias historicamente fidedignas. A pergunta teológica decisiva é, antes de mais nada, se essa imagem de Jesus feita pela fé pode ou não ser compreendida como interpretação correta do agir divino na pessoa de Jesus sob o ângulo da situação da comunidade de fé na época tardia do cristianismo primitivo.

Precisamos confrontar a alternativa de que o Quarto Evangelho é o produto final de uma tradição que João relembrou, proclamou e ponderou, até tornar-se completamente absorvido por essa tradição, ao ponto de expressá-la em suas próprias palavras e idéias. Se, entretanto, a linguagem e pensamento vieram mais de João do que de Jesus, deparamo-nos com o problema de que o autor do Evangelho foi um gênio criativo maior que o próprio Jesus.[3]

O evangelho joanino mostra que toda a existência de Jesus é revelação (Jo. 14.1). Ele faz isto já em seu prólogo, usando o termo “verbo” ou “logos” que é uma expressão tipicamente joanina. Segungo Ladd, (... parece que João deliberadamente apropriou um termo amplamente conhecido tanto no mundo helenístico como no judaico com a finalidade de postular o significado de Cristo)[4].

Autoria
Apesar de uma serie de contestações, a autoria é atribuída a João, mas no meado do século XVIII, F.C Baur diz o seguinte: “qualquer das razões sobre a autoria do livro deve prevalecer a de João Filho de Zebedeu”. Também existem vários nomes importantes da literatura cristã que vão afirmar que autoria do evangelho segundo João, foi do próprio João. Lutero e Orígenes foram alguns dos que deram esta afirmação. Alguns estudiosos vão afirmar que o livro de João teve a participação de duas pessoas, do evangelista João e do seu redator que escreveu e fez adaptações, acrescentando ao texto tradições da sua época. O autor segundo João veio sofrer influência do gnosticismo e cultura helenística.
Data: Baseado na informação de Philipp Vielhaver e Raymund E. Brown, a
data da redação do evangelho segundo João foi por volta do ano 80 a
110 dc.

Local: Com relação ao local existe um consenso na maioria dos pesquisadores , de que o evangelho segundo João, não foi escrito em Jerusalém e nem na região da Galiléia, mas provavelmente em uma sinagoga na região próximo a cidade de Éfeso, ou na região da Síria na Ásia menor. Um dos aspectos que vai ser colocado em evidencia a diferença do evangelho de João e dos sinóticos é a geografia .

Propósito: Apresenta o Cristo, Deus revelado ao homem, inspirando a fé em Jesus Cristo como Filho de Deus

Divisão do livro: Segundo os pesquisadores Philipr Vielhaver e Raymond E. Brauwm, o livro é dividido em duas partes principais:
Prólogo: Jo. 1:1 a 18 – O livro que inicia com hino que condensa a visão joanina de Cristo.
1ª parte: Jo. 1:19 a 12:50 – O livro dos sinais.
2ª parte: Jo.13:20 – A revelação de Jesus perante os seus.

Alguns temas da teologia joanina:
Bultmann trabalhando a teologia joanina demonstra algumas diferenças entre os sinóticos e o evangelho de João. Para ele a forma de abordagem dos discursos de Jesus nos sinóticos, que em variadas vezes são ditos encadeados, em João são exposições coesas sobre determinado tema. Assim os temas tratados em João são diferenciados dos tratados nos sinóticos, até o enfoque da pessoa de Jesus, em João é outro.
Segundo Bultmann:

Os temas tratados são outros que os dos sinóticos. Em João, Jesus não aparece nem como rabi, que discute questões da lei, nem como o profeta que discute o iminente reino de Deus. Ele fala, antes, de sua pessoa somente como do revelador que Deus enviou. Ele não debate sobre o Sábado e jejum, sobre pureza e divórcio, antes fala do seu vir e ir, do que ele é e do que traz para o mundo.[5]

A pregação de João é bem clara em dizer que a humanidade se encontra em uma situação deplorável, que é a de escuridão, por causa do pecado. Conforme Langston “O pecado portanto, é o eclipse total da alma, o completo desvio da humanidade dos eternos planos e propósitos de Deus. O pecado obscurece tudo; impede o homem de ver claramente a sua origem bem como seu destino”
Para João essa condição de trevas a qual o homem se encontra é escolha própria do homem, pois a luz veio e o homem preferiu as trevas do que a luz. Jo 3: 19. Na compreensão joanina, toda humanidade está diante de uma decisão, por seu estado de pecado e escuridão. E todos precisam tomar essa decisão, se querem vir para a luz ou se querem continuar no pecado e nas trevas. Essa oportunidade é dada para todos. Conforme Bultmann “Mas afinal, o apelo de Jesus à fé se dirige a todos! Vale para todos que se encontram em trevas e cegueira e estão sobre a ira de Deus; e todos são perguntados pela palavra do revelador se querem permanecer nesta situação”. Jo 3:36; 9:41; 12:46.
Langston demonstrando as peculiaridades entre o evangelho joanino, afirma que para o evangelista João a centralização de sua teologia é cristo. E essa é a peculiaridade mais importante. Conforme Langston “Destas peculiaridades a primeira que queremos notar, e que é a mais importante de todas, é que para João a pessoa de cristo é o centro de tudo.”
Algo de suma importância na teologia joanina é que João deixa bastante definido a igualdade entre Deus e Jesus. Não permitindo assim a menor sombra de dúvida.
Langston postula:
A terceira sentença do prólogo declara que o verbo era Deus: “No Principio era o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus”. Afirma assim João; é verdade uma certa distinção de pessoas, mas também uma certa identidade de essência entre o verbo e Deus, o pai. Tem havido muita controvérsia sobre a divindade de Jesus, porém para quem aceite os claros ensinos do evangelho de João, não pode haver a mínima dúvida de que Cristo seja Deus.[6]
A doutrina da salvação em João acompanha o seu raciocínio em relação ao centro de sua teologia, que é Jesus. Para João o autor da salvação é Jesus. Por meio do seu sacrifício é que veio a salvação à humanidade. Conforme Langston: “Para João , bem como para os outros, o fundamento da salvação é a morte de Jesus Cristo[7]. Ele fez o grande sacrifício pelo qual se realizou a nossa reconciliação com Deus.”

Portanto o filho de Deus é a luz do mundo, o salvador do mundo e é também o messias esperado pelos judeus em todos esses títulos se expressa que sua vinda é o evento escatológico. Pois por meio da sua vinda se cumpriu as profecias sobre o Messias. Enviando Jesus ao mundo, o pai lhe deu autoridade de ressuscitar mortos e de julgar. Assim quem crê nele já tem a vida eterna. Com isso a sua vinda e a sua partida é o juízo do mundo- este é o tema dominante de todo o evangelho joanino ou seja o príncipe deste mundo está julgado e que rejeita a Cristo e a sua palavra também está julgado.
Assim o tema de todo o evangelho segundo João é a frase ‘’ o logos tornou-se carne’’ isso se dá nas epistolas de primeira e segunda de João quando ele combate os falsos mestres ou seja os cristãos gnósticos que negam a identidade entre o filho de Deus e o ser humano Jesus como os docetistas queriam afirmar que a figura humana do filho de Deus era apenas um corpo aparente. A isso João responde que todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne ou seja que não confessa a Jesus o ser humano como filho de Deus não é ‘’de Deus’’ pois todo aquele que nega a Jesus como o cristo esse é o anticristo. Com isso João refuta a idéia gnóstica e afirma que o filho de Deus aparece na história e em uma cidade chamada Nazaré. Assim Jesus é o filho de Deus que se tornou carne, é um ser humano autentico ou seja para João o divino é justamente o oposto ao humano; de modo que é um paradoxo, um escândalo dizer que ‘’ o verbo se fez carne’’.
Tanto a onisciência de Jesus quanto os seus milagres são confirmados pelos discípulos. Pode ser dizer que, por meio de sua exposição Jesus é como o filho de Deus feito homem, João desenvolveu e aprofundou de modo singular aquela teoria do ‘’mistério messiânico do evangelho segundo marcos.
O logos em João tem um significado muito importante. Contudo, seu evangelho não é norteado pelo conceito logos. “ inegavelmente está certo que o evangelho não deve ser interpretado a partir do termo “logos”, mas devemos entender esse conceito à luz do evangelho todo. (W. F. Howard).
O conceito de logos não é usado por João em seu evangelho todo. Sendo que o conceito logos necessariamente é uma influencia filosófica. “ Vimos que fora do prólogo João não usa em seu evangelho o termo; ‘o lógos’ no sentido de designação de pessoa, ou seja, que esse conceito não é a forma para ele comum de expressar um testemunho de Cristo”...” Ao conhecer da cultura antiga o conceito’de logos’ de múltiplas maneiras como designação da razão universal, sem, contudo, adquirir caráter de pessoa.
Assim tanto sua atuação como também a sua revelação é um tanto quanto escandalosa já que na sua paixão e morte Jesus mostra que o sentido completo do envio do filho pelo pai foi cumprido com isso a glorificação do nome de Deus por meio do Jesus homem é simultaneamente a glorificação do próprio Jesus. Assim fica claro que a unidade da glória depois da elevação com a glória antes da elevação. Pois ambas as coisas estão expressas por sua vez na seguinte oração;
‘’Agora o filho do homem é glorificado e Deus é glorificado nele. E se Deus é glorificado nele, Deus também o glorificará nele e o glorificará logo’’
No agora da hora da despedida do filho de Deus deste mundo estão sintonizados passado e futuro porque o futuro é que faz do passado ser o que ele é, ou seja, é a revelação da glória que deve ser a alegria dos discípulos de Cristo. E isso não pode ser visível a mundo a exaltação do filho de Deus, pois o mundo não pode receber o Espírito da verdade mas só os crentes podem crer e exultarem de alegria pela elevação daquele que foi humilhado e morto na cruz.
Em Jesus está presente o próprio Deus, em Jesus como ser humano, no qual não se percebe nada de extraordinário senão sua audaciosa afirmação que nele estaria presente o próprio Deus. Aqui reside o paradoxo da idéia da revelação que João foi o primeiro a identificar.
Naturalmente João deu ao conceito um cunho diferente, visto que não trata nem da aparição escatológica do filho do homem nem de sua humildade terrena. O uso joanino do termo é, antes, caracterizado por uma dúplice associação de pensamentos. O conceito filho do Homem está ligado no evangelho de João à concepção de que Jesus vem do céu e retorna para lá. O conceito filho do Homem serve principalmente para tornar compreensível a pessoa do Jesus terreno a partir da fé da comunidade em sua ressurreição e exaltação.
Uma das funções do conceito do filho do homem em João tem um aspecto terreno. “ João lança mão do titulo do Filho do Homem primeiramente para descrever a gloria de Jesus Cristo no presente.
Dessa forma o querigma da comunidade helenista, a morte e a ressurreição de Jesus são fatos salvíficos que visto que forma uma unidade, poderia ser chamados de ‘’a obra ‘’ de Jesus. Portanto, a interpretação cristã comum da morte de Jesus como sacrifício expiatório pelos pecados não determina a visão joanina, ou seja, como for a morte de Jesus como sacrifício expiatório não tem relevância em João. A ressurreição de Jesus não será um acontecimento de especial importância se a morte na cruz já é a elevação e a glorificação de Jesus para João.
Assim se vê em Jesus o revelador de Deus onde o revelador é um determinado ser humano histórico, Jesus de Nazaré. Pode-se falar da revelação em Jesus além do fato consumado caracterizando-a como escândalo, como juízo sobre o ‘’ mundo’’ ou seja, Jesus é o ‘’verbo que de fez carne.’’

OBRAS CONSULTADAS:
· BULTMANN, Rodolf. Teologia do Novo Testamento. Tradução Ilson Kayser. São Paulo: teológica, 2004.
· LANGSTON, A. B. Teologia bíblica do Novo Testamento. 3a edição. Rio de Janeiro: Casa publicadora Batista, 1955.
· GULILLET, Jaques. Jesus Cristo no Evangelho de João [Tradução Jean Briant; revisão Evaristo Moreira]. – São Paulo: Ed. Paulinas, 1985.
· LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento; tradução de Darci Dusilek e Jussara Marindir Pinto Simões Árias. 1 ed. – São Paulo: Exodus, 1997.
· THOMPSON.Frank Charles. Bíblia Thompson. Editora Vida, 2000.
· VIELHAUER, Philipp. História da Literatura Cristã Primitiva. Editora Academia Cristã, 2005.
· BROWM, Raymundo E. Introdução ao Novo Testamento. Editora Paulus, , 2004.
· KONINCS, Johan. Evangelho segundo João. Editora Loyola. , 2005.
· www.novotempo.org.br;
· KUMEL,Werner Georg. Síntese Teológica do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1979.

[1] GULILLET, Jaques. Jesus Cristo no Evangelho de João [Tradução Jean Briant; revisão Evaristo Moreira]. – São Paulo: Ed. Paulinas, 1985. p.7.
[2] GULILLET, Jaques. Jesus Cristo no Evangelho de João [Tradução Jean Briant; revisão Evaristo Moreira]. – São Paulo: Ed. Paulinas, 1985.
[3] D. Guthrie, NT Introduction (1965), I, 268. apud LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento; tradução de Darci Dusilek e Jussara Marindir Pinto Simões Árias. 1 ed. – São Paulo: Exodus, 1997.
[4] LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento; tradução de Darci Dusilek e Jussara Marindir Pinto Simões Árias. 1 ed. – São Paulo: Exodus, 1997. p.224.
[5] BULTMANN, Rodolf. Teologia do Novo Testamento. Tradução Ilson Kayser. São Paulo: teológica, 2004. P. 432
[6] LANGSTON, A. B. Teologia bíblica do Novo Testamento. 3a edição. Rio de Janeiro: Casa publicadora Batista, 1955.p.137
[7] LANGSTON, A. B. Teologia bíblica do Novo Testamento. 3a edição. Rio de Janeiro: Casa publicadora Batista, 1955.p.167.

4 comentários:

  1. A existência de Jesus é revelação "O Verbo". A pregação é bem clara em dizer que a humanidade se encontra em uma solução deplorável, e esta é uma escolha próprio homem diz João.
    A Equipe esta de parabés foi muito relevante a exposição da Teologia Joanina.

    ResponderExcluir
  2. É interessante como o Evangelho de João centraliza sua perspectiva teologica no Cristo coom salvador do mundo, porém não deixando de exigir um compromisso ético por parte do homem. O pecado, na visão joanina, não é nada além da situação decaída em que o humano se encontra devido seus proprios atos. Assim o ato é significado com intensa relevancia. O homem decide, como a equipe colocou muito bem, fazer o bem ou o mal, aqui há nitidamente um conteudo ético a se discutir. Porém, o homem prefere a prática do mal intentando contra a existencia da propria espécie humana produzindo a realidade caótica hodierna. O Evangelho joanino vem como uma uma iniciática reflexão sobre como o homem tem construído o seu lócus existencial frente aos outros de sua espécie. E não apenas estes, mas também de forma holistica os outros que não são humanos, toda a realidade existente seja ela animal, ou a materia em seu estado bruto. João 3:16, épica perícope joanina, traz Jesus como figura messianica que engloba em sua intenção de salvação o mundo, e não apenas o homem. Pois "Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho..." e não apenas o homem.

    DALMO SANTIAGO

    ResponderExcluir
  3. Muito bem elaborado parabéns e que Deus continue abençoando.

    ResponderExcluir